sexta-feira, 17 de maio de 2019

Trocada, tolerável ou amada?


A incerteza do incerto certo
Do impossível da possibilidade que engana
A dureza da dor que encerra
E mata e mói e destrói a construção do pensamento.
O palpitar calmo e crescente no peito
Que atinge facilmente o desespero tranquilo
A dúvida permanentemente que pisca
E mata e mói este coração apertado.
A novidade que é repetição do passado
O medo da coragem da luta derrotada
A solidão da presença de sorrisos de outrora
Que matam e moem as vontades rejeitadas.

Que novo sentimento é este que me percorre as veias
Que leva o meu corpo ao limite e o destrói.
Que dor é esta que me aperta no escuro
Que faz desaparecer os sorrisos e a felicidade.
Que dúvida é esta cravada na minha mente
Que apaga as provas da luta e da felicidade.
Que amor é este que se sente
Que se mostra ausente, incerto e disfarçado.
Que sonho ou pesadelo vivo acordada
Que me cansa e atira ao chão derrotada.
Que lugar ocupo eu nesta vida desenfreada
Trocada, tolerável ou amada?

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Eu quero ser razão!

O resumo resumido
De todo o meu mundo...
Eu quero ser razão!
Quero ser a imagem refletida
Dentro de ti quando me olhas...
Quero ser o odor que te desperta
Quando inspiras junto da minha pele...
Quero ser o caminho que percorres mentalmente
Quando as tuas mãos navegam no meu corpo...
Quero ser a voz que te faz virar,
O abraço que te faz ficar,
A espada que te faz lutar,
O ar que te faz respirar e viver.
Quero ser os músculos que te fazem sorrir,
A luz que te faz ver,
O toque, o beijo ao adormecer e acordar.
Eu quero ser a razão para ficar.
Eu quero ser a razão para continuar.
Eu quero ser a razão para amar.
Eu quero ser razão!

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dor... Pura!


Dói... Dói como o caraças!
Dói ver-te aqui e no segundo seguinte sentir-te a léguas de distância...
Doiem todas estas dúvidas, as incertezas, os medos, os fantasmas...
Dói este sentimento de bola de flipper, constantemente a ser atraída pela gravidade para o abismo, enquanto vais dando uns toques que me permitem continuar a rolar neste campo/vida, mas sempre a cair.
Dói... não conseguir compreender-te, encaixar-te, ler-te, sentir-te...
Custa imenso ouvir palavras, ver atitudes, acções, por vezes tão contraditórias que me deixam completamente perdida e sem rumo...
Dói... querer acreditar na felicidade, na luta, no comprometimento mas por vezes não o sentir.
Dói muito... magoa... fere... a imagem desfocada de uma pessoa que me persegue diariamente na minha mente, que me assombra os sonhos à noite e os torna em pesadelos... que da última vez que falaste dela, a desvalorizaste na tua vida e, semanas antes, estavas disposto a deixar tudo e lutar por ela... Dói não saber em que momento mentiste a mim, e a ti próprio. Dói ainda mais imaginar que foi no segundo momento.
Dói... ver-te rir e sorrir mas não saber se estás feliz!
Dói ainda mais tentar levar o dia-a-dia a sorrir quando tudo o que me apetece é chorar... fugir, desaparecer... esconder-me num canto escuro e ficar lá... imóvel... chorar e soluçar até já não restar nada...
Dói ter de ser forte quando me sinto frágil...
Dói ter gente à minha volta mas sentir-me sozinha!
Dói querer acreditar quando não recebo provas dessa fé.
Dói o medo do futuro incerto...
Doiem os erros do passado que estão lá constantemente a relembrar onde falhámos, quase como numa brincadeira de crianças em que só devolvem um “é bem feita!!!”.
Dói sonhar com tanta coisa boa, fazer planos, querer viver e, no fim de tudo, não ver esses planos, sonhos, vida serem alimentados...
Dói muito... muito mesmo... não saber as razões que te levaram a ficar quando a única coisa que eu gostaria de ouvir é um “porque te amo”... (verdadeiro)
Dói Amar... sim... Neste momento, Amar-te faz doer... muito... todos os dias, todas as horas, todos os segundos! E escondido por detrás de todos os sorrisos, risos, momentos de prazer e felicidade espontânea e verdadeiramente sentida, reaparece esta dor... como um espeto cravado no peito...
Apenas porque te amo loucamente,
e não sei se me amas também...

domingo, 3 de fevereiro de 2019

O retorno, melhorado


Às vezes dou por mim, numa versão mais filosófica,
a questionar esta coisa que se chama a vida quotidiana.

Isto numa tentativa de retirar conclusões para o facto de o círculo de pessoas ativas na nossa vida estar em constante mutação. 

Porque é que as pessoas às vezes fazem parte dele, noutras não e estão e não estão indiscriminadamente relativamente a algo que possamos utilizar para o explicar?

A minha conclusão destas reflexões (e não sei se já alguém a teve)
é que as pessoas estão ao nosso lado quando têm de estar. 

E é isto… simplesmente.

E por vezes nem há uma razão para estar ou não estar, nem é porque agora gostamos menos ou mais, ou dá jeito ou não…

Simplesmente porque é suposto, naquele momento, naquela data, naquela fase e… por aí em diante!

Por isso acho que não é preciso andar a encontrar justificações para alguém ter uma parte ativa na nossa vida ou não…
porque as pessoas acabam por ir quando é para ir e retornam quando é para voltar…

sábado, 20 de setembro de 2014

Começo



Sem saber como

Nem o porquê,

Com a maresia a enlaçar,

Devagar, devagarinho,

Aqui viemos parar!


Com muitos sonhos para completar

E muita força para combater,

Certamente iremos vencer

Esta vida que está a chegar.


Beleza

Firmeza

E com surpresa,

Completas-me nos dias que passamos.

Alegria

Magia

E com mestria,

Envolves-nos nos sonhos que traçamos.


Tua…

Antes, agora e para sempre.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Superlativo fantasioso

Olho...
Olho-te...
Sem cansar, sem parar...
Numa espiral sem fim...
Sem uma luz ao fundo do túnel.
Sorrio e olho-te...
Aperto-te, sentindo-te...
Cheiro-te...
Hummm
O teu cheiro...
Até no escuro te vejo,
Te sinto...
Abraço-te...
Abraça-me...
Sente... sinto o teu ar...
Quente... tranquilo...
Desperta-me com um sorriso...
Olha-me e sente-me.
Escuta... escuta o silêncio!
Escuta o que ele grita!
Escuta o que ele ouve!
Recebe o que ele te dá!
Volta-te...
E caminha...
Eu estou aqui!
Sempre aqui...
Brilho resplandecente,
Que tortura deliciosamente o olhar!
Mergulha... Mergulhamos...
Emerge em mim e eu em ti!
Dá-me a mão e eu caminharei,
Protegendo...
Protegendo-nos!
Até.... hummm até...
Ao fim de um sorriso.
Nosso sorriso...


sábado, 17 de dezembro de 2011

Confusão



Acordo com o mar salgado
Que molha os meus pés
Num vai vem incansável
Pedindo para contemplar o sol
Que trespassa a minha alma
Aquecendo-a...
Relembro os nossos momentos
Saudosos e persistentes
Nesta memória descontínua.
Estás ali ao lado
Contemplando o mesmo sol que eu.
Serás real ou uma simples projecção
Que a minha memória
Ternamente me constrói?
Agarro a tua mão com força
Fazendo-te replicar de dor
De tão real que afinal és!
Desperta então um sorriso inesperado
Que me completa de uma tal forma
Que jamais havia sentido!
Sinto-me única
Flutuando neste espaço só nosso
Construído pelos nossos desejos
E de juras de amor perdido...
Estranhamente sinto o fresco dos lençóis,
No meio daquela areia amarela
E da espuma do mar que me cerca...
Sinto o macio do colchão,
Mesmo naquela textura granulada
Que escapa entre os dedos
Enquanto a tendo agarrar
Para não sair dali.
Em vão.
Sinto o meu corpo a ser sugado pelo tempo.
Rapidamente o mar torna-se escuro,
Estático, opaco e desaparece!
A areia compacta-se num tecido fino
Que envolve o meu corpo paralisado!
O sol torna-se vermelho e divide-se
Tomando a forma de números num visor!
Deixo de sentir a tua mão agarrada à minha...
Deixo de sentir o teu abraço...
E ali permaneço eu,
Sozinha neste quarto escuro
Com o relógio marcando a madrugada
E uma almofada vazia a meu lado...

Uma Prenda de Natal
















A vida é como um puzzle...
Às vezes é simples
Outras é complicada,
Muitas vezes é efémera
Outras permanece no tempo.
Trespassada por vezes
Por pessoas que achamos ser as certas
Mas que de alguma forma
Teimam em não encaixar em nós!
Às vezes sombria e misteriosa
Outras colorida e brilhante,
Mas sempre feita de pequenos pedaços
Que juntos farão sentido no todo
Que só será revelado
Quando a última peça for colocada.

Eu,
Como as estrelas,
Brilho eternamente para vós!
Por vezes distante ou ausente,
Por vezes brilhando num certo tom
Imperceptível aos vossos olhos,
Por vezes rodeada de escuras nuvens
Que escondem o meu cintilar.
Mas...
Mesmo ausente ou distante
Continuarei lá no alto a brilhar.
Sem parar...
Sem cansar...
Mesmo quando me afasto no dia
Pois de noite voltarei para vos ver...
Nunca deixarei de existir mesmo na ausência
Continuarei brilhando...
Para sempre...
No vosso Universo...
Onde quer que me encontre...

sábado, 19 de novembro de 2011

Pinturas


Vendo o mundo a branco e preto
Cheio de contrastes destoados
Pelo vento frenético que remexe
Em todos os pensamentos
Que teimam em emergir.
Sinto uma enorme vontade
De pegar calmamente o pincel esquecido
E sair pela rua colorindo tudo...
Tudo o que me toca...
Tudo o que me envolve...
Tudo o que por momentaneamente
Me deixe um sorriso nos lábios...
Gostava de te colorir...
Pintar-te suavemente com tons pastel
Com uma ou outra pitada de cor quente,
Picante ou deliciosa,
E tornar-te na minha peça principal,
Aquela que perdurará no tempo,
E terá um valor incalculável.
Desenhar-te todos os contornos
Com uma tal perfeição
Que destronaria Rafael ou Ingres.
Serias a minha obra-prima
Exposta na minha galeria privada
Para que apenas eu te pudesse contemplar!
Sairei por aí pintando...
Espero encontrar-te ao virar da esquina...

domingo, 13 de novembro de 2011

Tempo Incerto


O mundo faz barulho lá fora...
Chora a tua ausência desalmadamente.
Reclama furiosamente a tua presença,
E tenta a todo o custo empurrar-te para mim...
Ou a raptar-te para mim...
Entre raios e trovões te desejo comigo,
Lado a lado aconchegados,
Presos por sentimentos confusos,
Misteriosos e fugidios.
Perco-me nas incertezas de tudo
E as certezas do nada que nos cerca.
É, não é, poderá ser ou não ser,
Será algo ou não, terminará ou durará...
Confuso, trémulo, irrequieto.
Não sei sentir o que sinto,
E gostava de sentir aquilo que...
Provavelmente me é negado.